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Escrita por Glalber Duarte.
CAPÍTULO 045
CENA
001. UNIVERSIDADE. INTERIOR. CORREDORES. RJ. NOITE.
(Continuação
imediata do capítulo anterior. LUCAS desce as escadas, chocado. CARLOS e
VITÓRIA vão atrás. LUCAS chora incrédulo).
LUCAS
– Não consigo acreditar nisso que estou vendo. Não consigo.
CARLOS
– A verdade machuca mesmo.
VITÓRIA
– Calma LUCAS. Sempre há de ter uma explicação.
LUCAS
(bravo) – Explicação?! Com isso que estou vendo? Meu filho fez uma barbaridade.
Agora devemos pedir a Deus que ALAN ainda esteja vivo.
(LUIZ
se aproxima, desolado).
LUIZ
– Eu não acredito que esse monstro tenha feito isso. Monstro. RODRIGO nunca
prestou.
(LUIZ
desce as escadas, agacha em frente a ALAN e segura seu pulso).
LUIZ
(grita) – Alguém, por favor, ligue para o hospital. ALAN ainda está vivo.
(PABLO
disca para o hospital. ÉRIKA conversa com RAQUEL).
ÉRIKA
– Mas esse mundo está mesmo perdido.
RAQUEL
– Sangue de Jesus tem poder.
(RAQUEL
se aproxima de MARIANA. Senta-se no chão e faz com que a jovem deite em seu
colo. LUCAS se aproxima de LUIZ e segura em seu ombro).
LUCAS
– Eu te peço desculpas. Por tudo.
LUIZ
– Você não tem culpa de nada. E sim, seu filho. Isso daí não muda.
LUCAS
– Eu tenho culpa sim. Não o eduquei corretamente. Não mostrei os verdadeiros
valores da vida a ele. Tenho total culpa.
(LUIZ
se levanta e abraça LUCAS).
LUIZ
– Tudo vai se resolver. ALAN vai se recuperar. Só basta ter fé.
(RODRIGO
acorda vagarosamente. Se levanta, com dificuldade. Todos os presentes
observam-no. Os técnicos e os reitores chegam. O jovem então percebe que está
com a faca nas mãos. Ele larga o objeto, com o susto).
RODRIGO
– Esperem aí, vocês não vão acreditar que fui eu quem/
(MARIANA
se levanta, interrompendo RODRIGO. Ela desce as escadas rapidamente).
MARIANA
(histérica) – Assassino! Assassino!
(Ela
dá fortes tapas no rosto de RODRIGO).
RODRIGO
(assustado) – Espere aí, eu não fiz nada!
MARIANA
– Prenda-o! Agora! Esse cara é um infeliz. Criminoso. Assassino. Prendam!
(FUNDO:
“Movimento de Inverno”. LUCAS se aproxima, com um semblante de decepção).
RODRIGO
– Pai! Eu não acredito que até o senhor.../
LUCAS
– Não tenho outra escolha. Tenho que agir conforme a lei.
(RODRIGO
chora desesperado).
RODRIGO
– Pai! Acredite em mim, eu nunca teria coragem em fazer isso, em tentar matar o
amor da minha vida, pai, eu/
LUCAS
(grita) – Chega RODRIGO! Chega! Eu estou cansado dessas suas desculpas
esfarrapadas. Você tentou matar ALAN. E é tão idiota que adormeceu ao seu lado
com a arma do crime.
RODRIGO
– Pai. Armaram contra mim!
(LUCAS
saca uma algema do bolso e abre-a).
LUCAS
– Não quero ouvir tuas lamentações. Dê-me seus braços.
RODRIGO
– Eu não creio que esteja fazendo isso comigo.
LUCAS
(grita) – Dê-me!
RODRIGO
– Eu me recuso. Não tenho culpa disso. Armaram contra mim!
LUCAS
– Se não for por bem, será por mal, infelizmente!
(LUCAS
saca uma arma de choque e encosta o objeto em RODRIGO, fazendo com que o jovem
caia imobilizado e debatendo-se ao chão. Os olhos de LUCAS estão cheios de
lágrimas. O rapaz pega os braços do filho e algema. Com o barulho do objeto,
CORTA PARA...)
CENA
002. UNIVERSIDADE. INTERIOR. CORREDORES.
(LUCAS
arrasta RODRIGO para fora dali. Em CÂM lenta. O jovem de cabeça baixa. Todos os
presentes olhando para ele. RODRIGO chora. LUCAS e RODRIGO saem da
Universidade).
CENA
003. UNIVERSIDADE. EXTERIOR.
(LUCAS
surge com RODRIGO e os dois andam em direção ao carro. PEDRO está um pouco
distante dali, observando tudo. FUNDO: “Shot Me Down”. Ele sorri,
maleficamente).
PEDRO
– Ninguém cruza meu caminho, tentando me abater e sai dele ileso. Você, que
duvidou de mim, terá o que merece seu merdinha.
(PEDRO
dá meia-volta e sai do local. LUCAS, já dentro do carro, com RODRIGO, sai dali
também).
CENA
004. UNIVERSIDADE. INTERIOR. CORREDORES.
(Os
médicos colocam ALAN numa maca. MARIANA é amparada por RAQUEL. CORTA A MÚSICA).
MARIANA
– Eu não posso perder meu namorado. O amor da minha vida. Não posso!
RAQUEL
– Calma amiga, Deus está no controle.
LUIZ
– Mal iniciou um relacionamento e já fala que o garoto é amor de sua vida...
MARIANA
– Eu o amo, quer você queira acreditar ou não!
LUIZ
– Isso não é amor, é obsessão.
MARIANA
– Qual é a tua, garoto?
LUIZ
– Eu sou franco, me desculpe.
MARIANA
– Mas eu não estou disposta a ter que ouvir sua franqueza. Isso se chama
inveja.
LUIZ
– Inveja do que, amor? ALAN nunca se afastará de mim. Agora, de você? Duvido
que ele fique perto, se souber quem é a senhorita...
(LUIZ
se aproxima dos médicos).
LUIZ
– Quero saber quantos acompanhantes o ALAN poderá ter na ambulância.
MÉDICO
– Um só, pra evitar complicações.
LUIZ
– Eu irei então!
(MARIANA
surge).
MARIANA
– Quem lhe disse?
CENA
005. DELEGACIA. INTERIOR. ENTRADA. RJ. NOITE.
(LUCAS
entra com RODRIGO na delegacia).
RODRIGO
– Isso parece um pesadelo.
LUCAS
(desolado) – Tanto que eu lhe falei, não foi por falta de aviso. Tanto que me
aborreci com você, tentando lhe educar, tentando lhe mostrar o que é certo...
Mas eu falhei, fracassei nisso. E é isso que vejo agora...
RODRIGO
– Mas eu estou falando pai. Foi armação...
LUCAS
– Veremos... Mas por enquanto, ficará preso.
(A
SENHORA se levanta da cadeira e vai falar com LUCAS).
SENHORA
– Eu preciso falar contigo, fiz uma burrada e tenho que corrigir.
LUCAS
– Me espere um momento, já volto para falar com a senhora.
(LUCAS
e RODRIGO saem do local).
CENA
006. CORREDORES DA DELEGACIA. RJ. NOITE.
(FUNDO:
“Movimento de Inverno”. LUCAS anda com RODRIGO entre as celas. Ele olha
horrorizado. Os presos provocam RODRIGO, que está desolado. LUCAS abre a cela
de RODRIGO, a mesma onde JOÃO está. Ele coloca o filho dentro do local e fecha.
CLOSE em RODRIGO).
CENA
007. UNIVERSIDADE. INTERIOR. CORREDORES.
(LUIZ
encara MARIANA).
LUIZ
– E quem é você pra me impedir?
MARIANA
– Ousado você, hein? Esqueceu-se de que meu grau de parentesco é maior.
LUIZ
– E meu grau de aproximação é maior. Aliás, namorada é parente?
MARIANA
– Somos um só, assim como diz a palavra do Senhor!
LUIZ
– Então porque não foste esfaqueada? Vocês são um só, né? Seria até bom isso,
me livraria de você mais depressa...
(MARIANA
estapeia LUIZ. RAQUEL se aproxima de MARIANA, retirando-a de perto de LUIZ).
LUIZ
– Desculpa RAQUEL, mas eu não gosto dessa garota e eu deixo isso bem claro. É
uma sonsa.
MARIANA
(histérica/tentando se soltar de RAQUEL) – Se você pensa que vai acompanhar meu
namorado, está muito enganado!
RAQUEL
– MARI, calma! O que é isso?! Pelo sangue de Jesus. Acalma varoa.
MARIANA
– Eu não posso deixar barato! Não posso.
RAQUEL
– Eu que não irei deixar você ir. Olha seu estado! Duvido que os médicos deixem
você acompanhar ALAN.
MARIANA
–Mas eu irei. Não posso deixar meu namorado em más companhias.
(RAQUEL
puxa MARIANA).
RAQUEL
– Mas eu não te deixo ir. Amanhã você vai, quando tiver mais calma. LUIZ nem
estará, né, LUIZ?
LUIZ
– Sim. Não mesmo. Tenho que resolver uns assuntos.
(MARIANA
bufa e se dá por convencida).
MARIANA
– Vocês venceram. Mas amanhã farei plantão na recepção!
(Um
dos reitores grita).
REITOR
– Pessoal. Muita calma. Prestem atenção. Sobre o resultado do concurso, iremos revelar
no final da próxima semana, caso tudo se resolver! Por causa desse fuzuê, não terá
como revelarmos. Todos liberados, cuidado, podem ir para suas casas...
(FUNDO:
“Prova de Fogo”. MARIANA sai com RAQUEL, logo em seguida, LUIZ acompanha ALAN
com os médicos).
CENA
008. IMAGENS. RJ. NOITE.
(Imagens
da cidade. Carros passam pelas avenidas da cidade, decorada por causa da festa
de São João. Em praias, foca em pessoas em luaus, dançando, fumando,
gargalhando, bebendo).
CENA
009. DELEGACIA. EXTERIOR. NOITE.
(CLOSE
na delegacia).
CENA
010. DELEGACIA. INTERIOR. SALA DE LUCAS. RJ. NOITE.
(LUCAS
sentado, de frente pra SENHORA).
LUCAS
– Qual é o motivo da sua presença aqui?
(A
SENHORA levanta. CORTA A MÚSICA).
SENHORA
– Eu quero retirar queixa em cima de duas pessoas. Cometi uma injustiça.
LUCAS
– Quais? Não venha me dizer que/
SENHORA
– Sim! CAMILA, madame Stesser e seu ajudante, o JOÃO.
LUCAS
– Mas eles são trambiqueiros, não?
SENHORA
– Aí é que tá... Não é que a simpatia deu certo? Meu marido tinha mesmo uma
amante, dispensou-a e agora só tem olhos para mim...
LUCAS
(irônico) – Não me diga...
SENHORA
– Senhor policial. Eu quero que os dois sejam libertos. Agora!
A
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-
CAMILA e JOÃO pulam de alegria.
-
LUIZ conversa com MAURO.
FIM
DO CAPÍTULO
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