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DESEJO
Episódio 3
Autor: Antonio Malta
Adaptação de Morais Filho
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-No capítulo anterior: Brenda se alia à Secretária de Arthur para investigar a traição; Brenda surta; Brenda confronta Arthur e ele nega a traição; Brenda vai à festa de Alan e ele a beija.
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PARTE III: O SOM DA TRAIÇÃO
-Quando Alan se aproximou para me beijar, eu devia ter o afastado, sei disso, mas eu não queria. Nos beijamos por alguns instantes, depois abrimos os olhos, olhei para ele e sai o mais depressa dalí. No carro eu não parava de pensar em Alan, na minha cabeça retornava aquela cena e eu lembrava de mim mesma, mais cedo comemorando ter recebido um carinho de Arthur. Foi estranho beijar um aluno, mas no fundo gostei. Foi bom me sentir desejada.
-Em casa tirei meu sapato e fui para o quarto com a esperança de Arthur me satisfazer, mas não o encontrei... Sentada e encolhida ao lado da porta, aguardava o retorno dele, miragens se formavam na minha frente, como se estivesse vendo ele com outra mulher, transando e dando todo o carinho que eu precisava. O relógio indicava mais de meia-noite quando ele passou pela porta. Sempre educado, me estendeu a mão e eu o abracei. Com meu rosto aconchegado em seu peito, senti um aroma diferente, um perfume diferente. Pela primeira vez ele me viu surtar, irada e me sentindo traída, tentava descontar minha raiva lhe agredindo e ofendendo.
-Arthur me segurava nos pulsos tentando escapar da minha fúria, não adiantava... Ele precisou me erguer a mão, senti a força dele no meu rosto e cai no chão. O Choque de levar um tapa de Arthur me obrigou ficar calma. Ele se sentou ao meu lado, me abraçou com afeto e um "me desculpe" chegou ao meu ouvido quase como um sopro. Novamente próxima, notei que aquela perfume diferente era masculino, tudo indicava eu surtei à toa.
-Eu já estava dentro do labirinto, percorria caminhos escuros, difíceis de voltar. Ainda me restava sanidade e sabia que se não mudasse de rumo, iria perder Arthur ou acabar perdendo o controle de mim...
-Encontrei Alan na escola e Fingi que nada tinha acontecido, não criei nenhum assunto e o ignorei. Estava disposta a esquecer tudo, iria parar de por numa amante a culpa do meu fracasso e me afastaria desse aluno ,mas o destino não queria me deixar em paz... Salete me ligou enquanto eu aplicava a prova, não atendi e ela insistia, só pude retornar depois das aulas extras e marcamos no estacionamento do prédio do escritório onde Arthur e ela trabalhavam.
-No horário marcado, cheguei no local, A mulher surgiu e foi revelando o que sabia: Com nossa desconfiança ela passou a observar mais o patrão e acabou vendo algumas coisas que a intrigaram. Salete me alertou que Arthur andava saindo do trabalho de carona com outra pessoa, o que não tinha sentido, já que ele todo dia aparecia em casa de táxi. Minha desconfiança voltou...
-Salete se foi e eu permaneci no estacionamento aguardando Arthur sair, ele saiu do elevador acompanhado de um amigo, juntos entraram no carro do segundo e saíram. Segui os dois na esperança de descobrir quem era minha rival, imaginava quem seria ela, se era uma prostituta ou parente do motorista...
-Os dois desceram do carro e entraram numa casa classe média de um bairro calmo. Aguardei por algum tempo e nada parecia acontecer, então sai do meu carro e rodeei a tal casa. Alguma coisa me movia, o instinto me controlou e abri a porta - Destrancada - principal. No andar de baixo o silêncio reinava, não existia nem sombras... Com o pé pousado no primeiro degrau da escada, surgiu o som. Sendo guiada pelos acordes de um gemido de prazer, subi degrau por degrau e percorri um corredor pequeno, que naquele momento parecia infinito. O som se intensificava, se tornava cada vez mais alto e mais alto, até que com a mão apoiada na maçaneta rompi a barreira que nos separava e vi... e vi Arthur... Arthur não tinha uma amante, Arthur me traia com um homem.
___CONTINUA___
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