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Escrita por Antônio Malta.
O INTERIOR DE MIM
CRIADA E ESCRITA POR ANTÔNIO MALTA.
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O advogado informa que foi cobrada uma alta fiança para a
soltura de Jacinto. Jacinto diz para Álvaro que espancou o homem por dizer que
viu seu filho beijando outro homem. Álvaro fica com remorso. Otto cobra as
dívidas aos Galvão. Nuno consola Álvaro e acabam transando. Nuno descobre que
Álvaro foi ao hospital. Nuno olha Álvaro e Alana se beijando, agora noivos.
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PARTE VII: QUANDO FALA O CORAÇÃO.
Essa parte da história foge um pouco de mim, foi uma época em
que voltei a treinar aquele velho ensinamento da minha mãe: Não questionar e
aceitar.
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Otto (Antônio Calloni) honrou o acordo que fez com Álvaro (Igor Cosso), pagou a
fiança naquele mesmo dia e libertou Jacinto Galvão (Ângelo Antônio). Jacinto
não sentia o menor remorso de saber que o filho se vendera por culpa dele e
Ainda esbanjava um sorriso, certamente já criando planos para conseguir tirar o
dinheiro de Alana (Giullia Buscaccio).
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Ainda naquele interminável dia, cruzei com Álvaro. Este fazia as malas e quando
me notou entrando no quarto, abaixou a cabeça, não tinha coragem nem para me
olhar nos olhos. Toquei o rosto dele com delicadeza e o levantei até mirar seu
olhar no meu. Álvaro me respondia com lágrimas, depois me abraçou e sussurrou
"perdão, Nuno (Alejandro Claveaux)" em meio ao choro.
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Alguns dias se foram desde que o único homem que amei deixou o casarão e foi
morar na casa de Otto. Tentava viver normalmente, vendi com Jacinto o que se
salvou da colheita de cana e para minha surpresa, ele não gastou o dinheiro.
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Nos últimos dias, minha mãe (Cyria Coentro) adoeceu, precisava se consultar com
um clínico e eu a acompanhei. Aguardávamos naquela infinita sala de espera
quando ele apareceu novamente.
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Álvaro nos beneficiou dos 3 meses de espera por uma consulta e examinou mamãe,
a repassando para os cuidados de outro especialista. Conversamos Enquanto ela
se tratava, Havia uma tentativa de fingir que nada aconteceu nós, ele mudava o
assunto e indicou-me um emprego de segurança do bordel, decidi tentar.
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Com o apoio de Rosana (Maria Flor), aquela "moça" que participou do
primeiro momento íntimo entre Álvaro e eu, consegui o emprego. Só precisava
ficar no corredor próximo aos quartos e garantir proteção às meninas contra
qualquer cliente agressivo.
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Naquela noite dei a notícia pra minha mãe e depois fui para o quarto. Tia Eva
(Patricia França) estava sentada numa poltrona próxima da cama de Álvaro, era
inegável a tristeza em seu olhar.
- Saudades dele? (Nuno)
- Eu sei que ele está perto daqui, mas eu fiquei tanto tempo
longe do meu menino. (Eva)
- A senhora estava lendo? (Nuno)
- Tem uma página dobrada, ele não fazia isso. antigamente, dizia
que era vandalismo com patrimônio público... pra ele os livros eram de todos,
precisam andar de mão em mão ou perdem a função. o proibi de doar esses, os
únicos que restaram. (Eva)
- Eu que marquei a página, Álvaro começou a ler pra mim...
estava me ensinando a ler. (Nuno)
- Eu só aprendi depois de vir pra cá, antes era uma completa
ignorante. Você me deixa tentar te ensinar? (Eva)
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A Vida de todos começou a melhorar... Dona Marisa estava tratando das costas,
Tia Evangelina estava se sentindo mais feliz me ensinando a ler, Alana
distribuía sorrisos com os preparatórios do casamento e Jacinto rodeava a casa
de Otto... Eu devia me sentir melhor, mas aquele ar de tragédia se recusava a
ir embora.
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Os dias se passaram e o casamento de Álvaro se aproximava, eu gostaria de vê-lo
novamente, precisava tê-lo novamente. O destino me ajudara e na saída do
serviço o encontrei. Álvaro entrou sozinho num quarto do bordel e logo depois
apareceu Rosana com um bilhete dele, o li e caminhei até sua porta.
Álvaro me deu um longo abraço enquanto dizia que precisava do
meu perdão. Na minha cabeça ecoava a voz de minha mãe dizendo: não questionar,
não julgar, aceitar.
Eu nada disse, não iria tentar mudar uma decisão que tomou
sozinho ou perdoá-lo por fazer algo que o prejudicaria mais que todos. O
silêncio deu passagem para um beijo e ali nos amamos pela última vez.
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Depois daquele momento de amor, peguei o caminho de volta pra casa, após o
percurso a pé, estava em casa. Caminhando até a porta da entrada central, ouvi
vozes quase mudas vinda dos fundos do casarão, A curiosidade me obrigava a
segui-las. Andei a passos lentos e consegui ver duas sombras, uma era de
Jacinto, a outra não reconheci, ainda mais depois de entender o conteúdo da
conversa: Jacinto encomendava o assassinato de Alana.
________CONTINUA________
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