Uma adaptação bíblica feita por Gustavo Lopes
Capítulo 017
Disse-me
o Senhor:
- Vai e compra um cinto de linho e coloca-o sobre os rins, sem,
contudo, mergulhá-lo na água.
Comprei-o, conforme ordenara o Senhor, e com ele
me cingi. Pela segunda vez, assim me falou o Senhor:
- Toma o cinto que
compraste e que trazes contigo e encaminha-te para as margens do Eufrates. Lá
ocultarás esse cinto na cavidade de um rochedo.
Fui assim escondê-lo, junto
do Eufrates, como me havia dito o Senhor. Tempos depois, voltou o Senhor a dizer-me:
- Põe-te a caminho em
demanda das margens do Eufrates, a fim de buscar o cinto que, conforme minhas
ordens, lá escondeste.
Dirigi-me, então, ao rio e, tendo cavado, retirei o
cinto do local onde o escondera. O cinto, porém, apodrecera, e para nada mais servia. Então, nestes termos, foi-me dirigida a palavra do Senhor:
- Eis o que diz o
Senhor: assim também destruirei a soberba de Judá, e o orgulho imenso de
Jerusalém. Esse povo perverso que recusa executar-me as ordens, que segue os
pendores do coração empedernido, que corre aos deuses estranhos para
render-lhes homenagens e prostrar-se ante eles, se tornará semelhante a esse
cinto sem mais serventia alguma. À semelhança de um cinto que se prende aos
rins de um homem, assim uni a mim toda a casa de Israel e toda a casa de Judá –
oráculo do Senhor –, a fim de que constituíssem meu povo, minha honra, glória e
ufania. Elas, porém, não obedeceram. Vai, portanto, e assim lhes fala:
- Eis
o que diz o Senhor, Deus de Israel: uma vasilha é destinada a ser enchida de
vinho.
Responderão eles:
- bem sabíamos que toda vasilha é para ser enchida de
vinho! Mas tu lhes dirás: Eis o que diz o Senhor: Vou encher de embriaguez
todos os habitantes desta terra: os reis que ocupam o trono de Davi, os
sacerdotes, os profetas e a população inteira de Jerusalém; e vou
quebrá-los, uns contra os outros, pais e filhos – oráculo do Senhor –, sem que
compaixão, piedade ou perdão me impeçam de destruí-los. Escutai, prestai
ouvidos e não vos enchais de orgulho, pois quem fala é o Senhor. Rendei
glória ao Senhor, vosso Deus, antes que surjam as trevas, e antes que se
choquem vossos pés nos montes invadidos pelas sombras. A luz que esperais será
transformada em escuridão, pois que ele a converterá em noite profunda. Se
não prestardes ouvidos, a minha alma derramará lágrimas em segredo por vosso
orgulho, e meus olhos se fundirão em pranto, por causa da deportação do rebanho
do Senhor. Dize ao rei e à rainha: sentai-vos no chão, porque caiu de vossa
cabeça o diadema que a ornava. As cidades do sul estão fechadas, e não há
quem as abra. Judá foi arrebatada; completou-se a deportação. Ergue os
olhos; vê os que chegam do norte.
- Onde está o rebanho que te fora confiado,
onde os carneiros que constituíam tua glória? Que dirás, quando Deus te der
por senhores aqueles que exercitaste contra ti? E acaso não se apossarão de ti
dores quais as da mulher que está de parto? Se vieres a dizer em teu
coração: Por que me acontecem tais coisas?
- É por causa da enormidade de tua
falta que foram levantadas as tuas vestes e puseram brutalmente teu calcanhar a
nu. Pode um etíope mudar a própria pele? Ou um leopardo apagar as malhas de
que se reveste? E vós, como podereis praticar o bem, se estais impregnados de
maldade? Eu os dispersarei como palha que o vento do deserto arrebata. Tal é teu destino, a partilha que receberás de mim – oráculo do Senhor –,
porque te esqueceste de mim, confiando no que é apenas mentira. Até a cabeça
erguerei tuas vestes, a fim de expor aos olhares tua nudez! Teus adultérios
e desregramentos, e tua luxúria infame nas colinas e nos campos, todas essas
abominações, eu as vi. Desgraçadas de ti, Jerusalém! Por quanto tempo, ainda,
permanecerás impura?
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