Uma adaptação bíblica feita por Gustavo Lopes
Capítulo 066
Eis
o que declara o Senhor:
Vou levantar contra a Babilônia e seus cidadãos de
Lebcamai um vento de destruição. Vou enviar para a Babilônia cesteiros
que a irão joeirar, e que lhe deixarão vazia a terra, porque, no dia da
desgraça, de todos os lados cairão sobre ela. Que o arqueiro não retese seu
arco contra o arqueiro nem se pavoneie em sua couraça. Não lhe poupeis a
mocidade; exterminai todo o seu exército. Caiam eles, feridos de morte, na
terra dos caldeus, e transpassados nas ruas da Babilônia! Porque Israel e
Judá não enviuvaram do seu Deus, o Senhor dos exércitos, se bem que sejam
terras cheias de crimes contra o Santo de Israel. Fugi para longe do
recinto da Babilônia; que cada um salve a vida e não pereça nos seus crimes,
pois chegado é o tempo da vingança do Senhor que lhe vai dar o que mereceu. Era a Babilônia na mão do Senhor qual taça de ouro que embriagava toda a
terra; bebiam as nações o seu vinho e enlouqueciam. Caiu, porém, de repente,
a Babilônia: está esmagada. Chorai sobre ela! Ide à procura de um bálsamo para
a sua ferida; talvez venha a curar-se. Tentamos curar a Babilônia, mas em
vão. Deixai-a! Vamos cada qual para sua terra. Atingem o céu as suas faltas,
sobem tão alto quanto as nuvens. Pôs o Senhor em evidência a justiça de
nossa causa. Vinde, a fim de que narremos em Sião a obra do Senhor, nosso
Deus. Aguçai vossas flechas! Colocai vossos escudos! Excitou o Senhor o
espírito dos reis dos medos, terra que deseja destruir a Babilônia. É a
vingança do Senhor, a vingança do seu templo.
Levantai bandeira sobre os
muros da Babilônia! Reforçai a guarda! Colocai sentinelas! Armai emboscadas!
Porque o Senhor executa o plano que concebeu, a ameaça que proferiu contra os
babilônicos. Tu que te assentas sobre as grandes águas, e que possuis
imensos tesouros, chegou teu fim. Acabaram-se as tuas rapinas. Jurou-o o
Senhor dos exércitos, por si mesmo:
- Eu te encherei de homens tão numerosos
como gafanhotos, que lançarão gritos triunfantes sobre ti. Criou ele a
terra por seu poderio; firmou o mundo com a sua sabedoria, e em sua
inteligência estendeu os céus. Ao som de sua voz acumularam-se as águas nos
céus; dos confins da terra faz subirem as nuvens, resolve em chuvas os
relâmpagos, e de seus reservatórios tira os ventos. Atônitos ficam, então,
os homens. Envergonha-se o artífice da estátua que modelou, porque os ídolos
que fundiu não passam de mentiras, e não possuem vida. São apenas vãos
simulacros, que se desvanecerão no dia do castigo. O mesmo não acontecerá
àquele que é a herança de Jacó, pois ele criou tudo, e Israel é a tribo do seu
patrimônio. Seu nome é Javé dos exércitos. És para mim um martelo, uma arma
de guerra. Por teu intermédio esmago nações, aniquilo reinos e destruo o
cavalo e o cavaleiro, o carro e o cocheiro; por meio de ti despedaço homens
e mulheres, velhos e crianças e quebranto o jovem e a jovem. Por tuas mãos
exterminarei pastores e rebanhos, lavradores e suas juntas, governantes e
magistrados. Mas à Babilônia e aos caldeus retribuirei, ante vossos olhos,
todo o mal que fizeram a Sião – oráculo do Senhor.
É contra ti que me lanço,
monte destruidor – oráculo do Senhor – tu que destróis toda a terra; contra ti
vou estender a mão, para precipitar-te do alto dos rochedos, e fazer de ti
montanha em chamas. De teus escombros não se poderá tirar pedra de ângulo,
nem pedra de alicerce, porque te hás de transformar em eterna ruína – oráculo
do Senhor. Por toda a terra erguei o estandarte, tocai a trombeta entre as
nações. E contra ela uni os povos em guerra santa, mobilizai os reinos de
Ararat, de Meni e Asquenez! Contra ela nomeai escribas recrutadores, e lançai os
cavalos, quais gafanhotos eriçados. Recrutai contra ela os povos em guerra
santa, os reis da Média, seus governadores e oficiais, e todas as terras de seu
domínio. Treme a terra e se turba, porque se cumpre a ameaça do Senhor,
contra a Babilônia, de reduzir a terra da Babilônia a um lugar ermo e de
horror. Deixaram de lutar os guerreiros da Babilônia, abrigando-se nas
fortalezas. Quebrou-se o seu vigor, mais pareciam mulheres. Incendiaram-se as
casas, quebraram-se os ferrolhos.
Surgem correio sobre correio, mensageiros
sobre mensageiros, anunciando ao rei da Babilônia que toda a cidade se acha
cercada, que estão fechadas as passagens e os fortins em fogo, e
consternados os guerreiros. Porque eis o que falou o Senhor dos exércitos,
Deus de Israel:
- Assemelha-se a filha da Babilônia à eira do tempo do
apisoamento, ainda por um pouco, e para ela logo virá o tempo da colheita. Tragou-me, partiu-me Nabucodonosor, rei da Babilônia, deixou-me qual vaso
vazio. Engoliu-me, como o faria um dragão, enchendo o ventre do que de melhor
eu possuía, e expulsou-me. Recaia sobre a Babilônia a nossa carne
dilacerada!, dizem os habitantes de Sião. E sobre a Caldeia o meu sangue
derramado!, diz Jerusalém.
Eis por que, assim falou o Senhor:
- Vou tomar
tua causa em minhas mãos, e hei de vingar-te. Porei teu mar a seco e estancarei
suas nascentes. A Babilônia se tornará um amontoado de pedras, covil de
chacais, objeto de horror, lugar ermo, que será escarnecido. Rugem seus
homens em multidão como leões, e rosnam como leõezinhos. Quando estiverem
sequiosos, eu lhes darei de beber, e os embriagarei, a fim de que se deleitem,
adormecendo-os em um sono eterno, do qual não mais despertem – oráculo do
Senhor. Eu os farei, como carneiros, descer ao matadouro, quais cordeiros e
cabritos. Como foi tomada Ainolibab, e vencida a glória de toda a terra?
Como se tornou a Babilônia objeto de horror, no meio das nações? Subiu o
mar contra a Babilônia, e ela foi coberta pela multidão de suas ondas. Tornaram-se
desertos seus arredores, terra árida e desolada, onde ninguém mais há de morar,
e nenhum ser humano habitar. Castigarei Bel na Babilônia tirando-lhe da boca
o que havia comido. E dela não se acercarão mais as nações.
Eis que se desmorona
a muralha da Babilônia! Sai de lá, povo meu! Salve cada um a própria vida,
ante a cólera ardente do Senhor! Não se desfaleça o vosso coração. Não
tenhais medo das notícias que se farão ouvir na terra. Durante um ano um rumor
se fará ouvir e outro rumor no ano seguinte:
- Violências na terra, tirano
contra tirano. Eis por que virão dias em que me lançarei contra os ídolos
da Babilônia: será, então, coberta de vergonha a terra inteira, em cujo meio
cairão os homens feridos de morte. O céu, a terra e tudo quanto encerram
lançarão sobre a Babilônia exclamações de alegria – oráculo do Senhor – porque
contra ela se lançaram os devastadores vindos do Norte. Ó mortos de Israel,
necessário é que caia a Babilônia por sua vez, assim como, por causa dela,
caíram todos os mortos da terra. Escapai da espada; parti, não vos
detenhais. Na terra longínqua, não vos esqueçais do Senhor, e seja Jerusalém o
sonho de vossos corações.
Estamos confundidos; ouvimos a injúria, e a
vergonha cobriu-nos os rostos, porque estrangeiros penetraram no santuário do
templo. Eis por que virão dias – oráculo do Senhor – em que me lançarei
contra os ídolos da Babilônia e em que, na terra inteira, gemerão aqueles que
são massacrados. Ainda que a Babilônia atingisse os céus e sua alta
fortaleza se tornasse inacessível, os devastadores, sob minhas ordens, não
deixarão de alcançá-la – oráculo do Senhor. Eleva-se da Babilônia um clamor,
e da Caldeia irrompe um tumulto de grande desastre. É o Senhor quem devasta
a Babilônia, fazendo-lhe calar o ruído das vozes. Bramem como torrentes de água
as suas ondas e ressoam os seus gritos, porquanto contra a Babilônia se
arrojou o devastador. Foram presos os guerreiros e quebrados os seus arcos,
porque o Senhor, que é o Deus das contas, não deixará de lhes dar a paga. Embriagarei seus chefes e seus sábios, seus governantes, oficiais e
guerreiros, que dormirão um sono eterno e jamais despertarão!” – Oráculo do
rei, cujo nome é Javé dos exércitos.
Eis o que diz o Senhor dos exércitos:
- As muralhas imensas da Babilônia serão inteiramente arrasadas, e suas portas,
altas como são, incendiadas. Assim, de nada valeram os sofrimentos dos povos, e
em proveito do fogo esgotaram-se as nações.
Eis a ordem dada pelo profeta
Jeremias a Seraías, filho de Neerias, filho de Maasias, ao ir para a Babilônia
com Sedecias, rei de Judá, no quarto ano de seu reinado. Era Seraías o
camareiro-mor. Havia Jeremias escrito num livro todas as calamidades que
haveriam de atingir a Babilônia e todas as predições sobre ela.
E disse,
então, a Seraías:
- Quando chegares à Babilônia, procurarás um meio de ler todas
essas palavras. Assim, dirás: Senhor, fostes vós que declarastes a
destruição desta cidade, que se tornaria inabitável para homens e animais,
transformando-se em solidão eterna. E quando terminares a leitura do que
nele se acha escrito, tu o ligarás a uma pedra e o lançarás ao Eufrates,
dizendo: Assim será mergulhada a Babilônia, sem que jamais se possa erguer da
calamidade que lançarei contra ela. (E cairão extenuados.).
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