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Escrita por Glalber Duarte.
CAPÍTULO 064
Última Semana
CENA
001. CASA DE MAURO. INTERIOR. QUARTO DE LUCIANA E MAURO. RJ. DIA.
(Continuação
imediata do capítulo anterior. CAMILA dá tapas fracos no rosto de LUCIANA).
CAMILA
– Irmã? Irmã? Meu Deus, irmã, acorda! (T) (p/ o CABELEIREIRO) Chama o JOÃO, por
favor!
CABELEIREIRO – Mona, mas e o vestido? Ele não pode te ver assim!
CAMILA
– Dane-se esse casamento! Dane-se o vestido! (passa as mãos pelos cabelos que
estão no ar) Dane-se esse meu cabelo! Chame o JOÃO, eu preciso dele!
CABELEIREIRO – Pode deixar! Não tá mais aqui a bicha que falou!
(O CABELEIREIRO sai do quarto. CAMILA fica lá, tentando de alguma maneira acordar a
irmã).
CENA
002. DELEGACIA. EXTERIOR.
(MAURO
está apreensivo).
MAURO
– LUCIANA? LUCIANA? Fala comigo! LUCIANA?
(MAURO
percebe que a ligação caiu. Ele fica indeciso).
MAURO
– Eu entro ou vou ver como minha mulher está?
(MAURO
dá um passo pra frente e outro pra trás, até que resolve prosseguir pra
frente).
MAURO
– CAMILA e JOÃO estão lá, eles irão ajudar, qualquer coisa eu ligo depois...
(MAURO
entra na delegacia).
CENA
003. CASA DE MAURO. INTERIOR. QUARTO.
(JOÃO
entra no quarto e fica lisonjeado com CAMILA de vestido. O CABELEIREIRO fica na
porta, sem saber o que fazer, apenas observa).
JOÃO
– Meu amor... Você está... Linda!
(Até
que ele cai na real, ao ver a cunhada desmaiada. JOÃO fica preocupado).
JOÃO
– O que aconteceu? (se aproxima) Meu Deus! LUCIANA!
CAMILA
– Nosso sobrinho foi preso!
JOÃO
– Preso?! Mas como?
CAMILA
– Não faço ideia. Nem do que faremos agora.
(JOÃO
pega LUCIANA no colo).
JOÃO
– Vamos à cozinha. Eu sei o que fazer.
(JOÃO
sai do quarto com LUCIANA nos braços. CAMILA vai em seguida, o cabeleireiro,
avulso, os segue).
CENA
004. COZINHA. INTERIOR. DIA.
(JOÃO
coloca LUCIANA sentada numa cadeira).
JOÃO
– Passa o pano com o vinagre!
(CAMILA
entrega o pano a JOÃO, que coloca a altura do nariz de LUCIANA. Ela desperta,
aos poucos. Zonza).
LUCIANA
– Oh meu Deus, onde estou? O que aconteceu?
JOÃO
(irônico) – Perdeu a memória, foi?
CAMILA
– Isso não é hora, JOÃO! (p/ LUCIANA / dá tapas fracos no rosto dela) Irmã?
Acorda? Irmã? Você está bem?
(LUCIANA
volta em si, desesperada).
LUCIANA
(agitada, se balançando) – Meu filho! Eu quero ver meu filho! Meu filho!
(LUCIANA
se levanta e tenta correr, mas JOÃO a impede, segurando-a).
JOÃO
– Onde você pensa que vai nesse estado, cunhadinha?
LUCIANA
– Eu preciso ver meu filho, tenho que ir à delegacia.
CABELEIREIRO – Calma perua. Toma uma água com açúcar que tudo vai se resolver...
LUCIANA
(p/ o CABELEIREIRO) – Tudo vai se resolver? Eu tomando água com açúcar? Merda!
Acha que, se eu tomar um copo de água com açúcar irá tirar meu filho da cadeia?
Hein?
CABELEIREIRO – Eu me expressei mal, me desculpe.
LUCIANA
– Desculpa? Acha que vou aceitar suas desculpas?
JOÃO
– Cunhada, calma.
LUCIANA
– Calma é o caralho! Eu quero ver meu filho! Quero tirar meu filho da cadeia!
(LUCIANA
sai em disparada, CAMILA corre atrás dela, descabelada e com o vestido de
noiva. JOÃO olha para o cabeleireiro, que está sem graça).
JOÃO
– Ei. Não fica assim não.
CABELEIREIRO – Pelo jeito, nem vai ter casamento, né?
JOÃO
– Eu estou tão zonzo, sabe? Nem sei o que fazer... Mas o casamento? Não terá
mesmo. Vou à igreja e pedir para cancelarem. Você... Volte aqui depois, pra dar
um jeito no cabelo da minha noiva (risos), não quero que ela fique parecendo um
espantalho...
CABELEIREIRO – Pode deixar, bofe!
(O CABELEIREIRO sai da casa. JOÃO senta-se na cadeira onde tinha colocado LUCIANA e
respira fundo).
JOÃO
– Ah, meu Deus. Só porque fui ver CAMILA de vestido, só pode ter sido por
isso... Mas já tenho má sorte, fazer o que?
(JOÃO
se levanta e anda, se retirando do local).
JOÃO
– Vou trocar de roupa e ir à igreja.
CENA
005. CASA DE RAQUEL. EXTERIOR. VARANDA. RJ. DIA.
(RAQUEL
surge no local, decidida).
RAQUEL
– Eu preciso fazer alguma coisa. De mãos atadas que não ficarei!
(RAQUEL
sai de casa).
CENA
006. DELEGACIA. INTERIOR. SALA DO DELEGADO.
(LUCAS
se levanta).
LUCAS
– ALAN, eu acredito fielmente em você, mas tenho que agir conforme a justiça.
ALAN
– Que justiça é essa? A que incrimina os inocentes e deixa os culpados livres?
É o que? Os valores inverteram?
LUCAS
– ALAN, você foi encontrado no local do crime, ao lado do corpo.
ALAN
– Mas não fui eu quem assassinou SÉRGIO!
LUCAS
– Eu sei disso! Mas é que os policiais viram, o juiz ficará ciente disso...
(ALAN
baixa a cabeça, convencido).
ALAN
– Então me leve. Leve-me de uma vez por todas! Anda, leve-me!
(FUNDO:
“ShyMoon”. Em CORTES, mostra LUCAS se levantando e pegando ALAN pelas costas.
Os dois saem da sala).
CENA
007. DELEGACIA. INTERIOR. CORREDORES.
(LUCAS
e ALAN saem e dão de cara com MAURO. Pai e filho se olham e choram, só choram.
Comunicam-se pela linguagem do olhar).
MAURO
– Meu filho... Meu filho...
(LUCAS,
com um gesto de mãos, impede que MAURO passe daquele local, dali em diante é o
caminho para ir à cela. MAURO senta-se numa cadeira e leva suas mãos ao rosto,
apoiadas nas pernas).
CENA
008. CASA DE SÉRGIO. EXTERIOR.
(CARLOS
e LUIZ chegam ao local, eles ainda conseguem ver alguns peritos, pelo lado de
fora da casa. Os jovens entram na casa).
CENA
009. RUAS DO RIO DE JANEIRO. DIA.
(LUCIANA
corre, CAMILA alcança a irmã e pega pelo braço dela).
CAMILA
– Ei? Irmã?! Você não pode chegar lá na delegacia desse jeito. Você tem que se
acalmar.
LUCIANA
– Como eu vou me acalmar? Como? Meu filho foi preso, foi preso injustamente.
Armaram contra ele! Meu Deus, porque isso? Eu não vou aguentar, não vou...
(LUCIANA
sente uma tontura e se apoia em CAMILA).
CAMILA
– Irmã, calma, calma... Você tem que ficar tranquila...
(CAMILA
vê um bar. CORTA A MÚSICA).
CAMILA
– Vamos até aquele bar ali, você senta, respira... O que não pode fazer é ir
assim, vai que comete uma loucura... Acabaria sendo presa.
LUCIANA
– Olha quem fala... Você, com esse cabelo todo pro ar, com esse vestido de
noiva... (risos / mais tranquila) Hilário.
CAMILA
– Nem tive tempo para finalizar o laquê... Vou tentar dar um jeito depois. E
então, vamos?
LUCIANA
– Você me convenceu!
(CAMILA
e LUCIANA se encaminham até o bar, enquanto isso, RAQUEL cruza por elas,
apressada).
CENA
010. CASA DE ÉRIKA. INTERIOR. SALA.
(FUNDO:
“Campo de Força – Sérgio Sá”. ÉRIKA chega à sala, com o celular na mão.
Senta-se no sofá, bastante preocupada. Mexe os cabelos. Observa uma foto dela,
no centro de uma mesinha. Em volta, várias fotos de LOLÔ).
ÉRIKA
– Você sempre, sempre me ofuscou. Sempre foi mais do que eu. Sempre será. Mas
não poderá ter o amor da minha vida. Eu tenho que impedir sua volta. Não posso
deixar que PABLO venha a se aproximar de você novamente. Senão, tudo voltará a
ser como era antes. E eu não quero, não quero perder o amor da minha vida.
(ÉRIKA
se levanta do sofá e deixa seu telefone com o visor ligado na mesinha. Ela se
retira. CLOSE no celular. Consta uma matéria sobre LOLÔ. Mostra que ela voltará
ao Brasil dentro de alguns dias).
CENA
011. CASA DE PABLO. INTERIOR. SALA.
(CORTA
A MÚSICA. PABLO está na sala, olhando-se no espelho. VITÓRIA surge. PABLO
percebe vendo o reflexo da irmã).
VITÓRIA
– Você chegou tarde ontem, viu?
(PABLO
gela e se vira, fica calado, sem reação).
VITÓRIA
– Porque você chegou naquela hora? Hein?
CENA
012. CASA DE SÉRGIO. INTERIOR. SALA.
(LUIZ
está assustado. CARLOS, sem reação).
LUIZ
– Mas como assim? Quem morreu? Quem matou quem?
PERÍTO
– Um jovem... Um jovem foi encontrado morto aqui dentro, acusam outro jovem,
levam-no preso.
LUIZ
– Meu Deus! Mataram o ALAN!
CARLOS
– LUIZ fique calmo! Vai ver que tudo não passa de um mal entendido... (T) (p/ o
PERÍTO) Como o jovem que foi preso era? Você lembra se ele usava alguma coisa?
Uma muleta?
PERÍTO
– Sim! Ele usava uma muleta sim! Mal consegue andar... Não sei o que o
ocorreu...
LUIZ
– Ai meu Deus! ALAN foi preso injustamente.
CARLOS
– Obrigado cara. Já temos as informações que precisávamos. Tememos o pior.
LUIZ
– Mas isso não é o pior?
CARLOS
– Queria que ALAN estivesse morto?! Por favor! A justiça, por mais que seja
lenta nunca falha. A divina. ALAN será solto logo logo! Agora tratemos de ir à
delegacia para darmos depoimento!
LUIZ
– Vamos, o mais rápido que pudermos!
(LUIZ
e CARLOS saem da casa, em disparada).
CENA
013. DELEGACIA. INTERIOR. CORREDORES DAS CELAS. RJ. TARDE.
(FUNDO:
“ShyMoon”. LUCAS leva ALAN pelos corredores da delegacia, o jovem só sabe
chorar, mostra-se isso em CÂM lenta. CORTA PARA LUCAS colocando ALAN na cela.
ALAN entra, já sem as algemas. LUCAS fecha a cela e observa o amigo).
LUCAS
– Vai ficar tudo bem, não se desespere. Você sairá dessa. Só basta confiar na
justiça.
ALAN
– Tentarei LUCAS, eu tentarei.
LUCAS
– Limpa esse choro e pensa que tudo vai dar certo. Eu vou te tirar daqui!
ALAN
– Obrigado, LUCAS, obrigado mesmo!
(LUCAS
aperta a mão de ALAN, após, tranca a cela e se retira do local. CLOSE na face
de ALAN).
CENA
014. DELEGACIA. INTERIOR. ENTRADA. RJ. TARDE.
(LUCAS
sai e dá de cara com RAQUEL. CORTA A MÚSICA).
RAQUEL
– Eu preciso te mostrar algo... Está acontecendo alguma coisa aqui?
LUCAS
(discreto) – Não, nada...
(MAURO
se levanta, histérico).
MAURO
– Meu filho! Meu filho, ele foi preso injustamente, ele foi acusado de matar um
cara, meu filho, ALAN, meu filho!
(RAQUEL
gela ao ouvir o nome de ALAN).
RAQUEL
– Quem, quem que foi encontrado morto?
LUCAS
– Foi reconhecido como SÉRGIO SANTIAGO.
RAQUEL
– Eu preciso falar-lhe isso! Eu preciso!
LUCAS
– O que você tem a falar?
RAQUEL
– Não sei se devo, eu não sei!
MAURO
– Fala!
RAQUEL
(bota pra fora) – Eu sei quem matou o SÉRGIO! Eu sei!
(TENSÃO.
CORTES nas faces de LUCAS, MAURO e por fim, em RAQUEL).
A
SEGUIR CENAS DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS
-
MARIANA pula a janela de sua casa.
-
RAQUEL conversa com LUCAS.
FIM
DO CAPÍTULO
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